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"Siga o Coelho Branco"

  • Foto do escritor: Veluxya
    Veluxya
  • 10 de out. de 2020
  • 4 min de leitura

Atualizado: 12 de out. de 2020

O coelho e suas místicas simbologias


Desde sua aparição inesperada e apressada em 'Alice no país das maravilhas', o Coelho Branco de Lewis Carroll (White Rabbit) tem sido sinônimo de uma personagem enigmática e fascinante que possui um compromisso para o qual não quer se atrasar. Para onde ele vai? Que compromisso é esse? Por que ele não revela os reais motivos de sua interferência e aparição? Por que Alice segue o coelho e entra na toca? O que essa "busca" representa? São apenas algumas das muitas perguntas que podemos fazer para todo esse mistério. Fato é que o Coelho Branco tornou-se um ícone da cultura pop no mundo todo, sendo também reverenciado em muitas festas tradicionais e religiosas, como o Festival da Lua na China (em que figuras de coelhos brancos são confeccionados para lembrar a associação com a lua e atrair prosperidade), e a importante festa cristã da Páscoa em que ele está relacionado à nova vida, ao renascimento e à fecundidade.




A associação do coelho com a lua, por exemplo, é porque eles são animais considerados lunares, ou seja, que dormem durante o dia e cabriolam pela noite. Por essa razão, na Europa, na Ásia e na África, acredita-se que as manchas presentes na lua simbolizam coelhos ou lebres. Também em quase todo o continente europeu, acredita-se que o coelho é animal de boa sorte já que séculos atrás, enfrentar o rigoroso inverno europeu era bastante difícil para as famílias mais pobres, pois elas não tinham condições de se aquecer devidamente, especialmente durante as noites mais frias da estação. Como alternativa, as pessoas adotaram o hábito de dormir junto com seus animais em busca de calor, e o coelho era a melhor opção. Devido a isso, surgiu a crença de que quem tinha um coelho, tinha boa sorte, pois estaria melhor guarnecido contra o frio. Na mitologia egípcia, o coelho também está relacionado à velha divindade Terra-Mãe, pela simbologia das águas fecundas e restauradoras, e à renovação cíclica e eterna da existência. Assim, de acordo com essa mitologia, Osíris (deus da vegetação e do além) foi retratado com cabeça de coelho, a fim de representar a inteligência e a revivescência da vida.


Entre os povos Pré-Colombianos, precisamente os astecas que habitavam a Península de Yucatán, os coelhos também estavam presentes na lua e no calendário. Para os maias, o coelho representava um herói, uma vez que em suas lendas míticas, a deusa-lua foi salva por um herói coelho, promovendo o conceito de que o coelho representa a renovação cíclica da vida e a continuidade das espécies vegetais, animais e humanas. Assim, como um possuidor do segredo da vida elementar, que já era reconhecido como estigma pertencente a esse animal na glíptica egípcia, o coelho ou a lebre míticos representam um intercessor, um intermediário entre este mundo e as realidades transcendentes das dimensões ocultas.

Seja nos contos de fada, nos jogos de computador como American McGee’s Alice, no jogo de ação e RPG Kingdom Hearts (Playstation 2), em LOST, Star Trek (episódio Shore Leave, 1966) ou The Matrix, o Coelho Branco é frequentemente uma alusão a uma viagem ao mundo desconhecido da Consciência, da criança interior e, porque não

dizer, do eu infinito, surpreendente e inexplorado que habita em cada um de nós.


A frase "Siga o Coelho Branco" ("Follow the White Rabbit”) tornou-se muito popular e desafiadora, mas a verdade é que ela nem existe no livro de Lewis Carroll. No livro, o título do primeiro capítulo é "Down the Rabbit Hole” ("Descendo na Toca do Coelho") e se apresenta mais como a ideia do "buraco negro" (espécie de Portal para 'O País das Maravilhas') onde Alice se meteu, do que a noção atualmente popularizada.

Quando por exemplo no filme Matrix Neo é orientado a "seguir o Coelho Branco", alguns segundos depois sua campainha toca e, abrindo a porta, ele encontra uma mulher com a tatuagem de um coelho branco em seu ombro e, imediatamente, entende o sinal para seguir o enigma. Mais tarde, antes de encontrar o Oráculo, pode-se ver numa televisão o filme "Night of the Lepus", demonstrando a "sincronicidade do Universo" (relativamente à simbologia do coelho) sobre a decisão de Neo de seguir o Coelho Branco, se descobrir numa nova realidade e se rebelar contra a Matrix.


Por isso, quando se diz "Siga o Coelho Branco", significa encaminhar alguém para uma viagem extraordinária ao mundo do desconhecido, em conformidade com a metáfora do "despertar da Consciência" e da entrada numa nova realidade, mais sensível e coerente que a anterior, rumo a novos pontos de vista existenciais. Seguir o Coelho Branco é sinônimo de uma profunda busca interior pelo sentido de ser aquilo que somente a essência revela e pode trazer à tona, através da força poderosa e primitiva da natureza inefável, mística e espiritual do inconsciente. Uma vez que o indivíduo se entregue à permissão para conhecer as entranhas de seu eu mais íntimo, ao mesmo tempo, ele está se redescobrindo e renascendo num contexto inevitavelmente mais lúcido e significativo capaz de redirecionar seus desejos e seus horizontes.



Quando entendemos que, sim, há mais incógnitas entre o consciente e o inconsciente do que supõe nossa rasa noção de domínio sobre essas esferas de razão e ideologia, passamos a perceber que seguir o Coelho Branco e entrar em sua toca é um convite irresistível para conhecer a fabulosa jornada de ser você mesmo, sem rótulos, sem imposições, sem títulos nem denominações, sem ter que agradar a este ou aquele ou fingir pra si mesmo estar vivendo um papel rebuscado e embasado numa "doce ilusão".

Tomar a decisão de seguir o Coelho Branco entrando em sua toca é como dar um pequenino passo, simples mas ousado, e saber que a partir dali, nunca mais você será o mesmo.


Como você irá se sentir? Como ficará sua mente? E sua visão e percepções? O que será que você vai encontrar entrando na toca do Coelho Branco?




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